O professor Fernando Moura preparou dicas sobre o que evitar ao construir uma redação.
Ambiguidade - Chamamos ambiguidade (ou anfibologia) à duplicidade de sentidos de uma construção sintática. Por interferir diretamente na clareza do texto, deve sempre ser evitada. Veja alguns exemplos: a) “Venceu o Santos o Palmeiras”. Em razão da inversão sintática, não se sabe qual dos dois times venceu. Para desfazer o duplo sentido, pode-se acrescentar a preposição "a" ao objeto direto ("Venceu ao Santos o Palmeiras" ou ''Venceu o Santos ao Palmeiras'') ou colocar a frase na ordem direta ("O Santos venceu o Palmeiras"; "O Palmeiras venceu o Santos''); b) ''Joana disse a Paulo que seu professor chegaria mais tarde". Nessa construção, não se sabe se se trata do professor de Joana ou do professor de Paulo. Para evitar a ambiguidade, e possível usar as formas "dele" ou "dela" ("Joana disse a Paulo que o professor dela...” ou Joana disse a Paulo que o professor dele...”); c) "Foi o que afirmou Judith Exner, uma das incontáveis amantes do chefão mafioso San Giancana, que mantinha simultaneamente um caso com o presidente dos EUA". Aqui é o conhecimento do mundo o que nos leva a compreender que era Judith Exner, não o chefão mafioso, quem mantinha um caso amoroso com o presidente dos EUA. Mas a construção sintática permite dupla interpretação; é, portanto, ruim. Para torna-Ia unívoca, pode-se usar "a qual" (ou "o qual'') no lugar de "que" ("... Judith Exner, uma das incontáveis amantes do chefão mafioso San Giancana, a qual mantinha...”).
Clichês - Os clichês ou lugares-comuns são expressões largamente empregadas que, em geral, reproduzem ideias prontas. Seu uso desvaloriza o texto, dando-Ihe a impressão de falta de originalidade e de ausência de reflexão sobre o tema. Essas "fórmulas" de construção, de tão desgastadas pela repetição, acabam por desvalorizar o texto. Exemplos: "fechar com chave de ouro", "encontrar uma luz no fim do túnel", "do Oiapoque ao Chuí; "ter direito a um lugar ao sol'; "O fantasma da inflação", "a novela do aumento do salário mínimo", "O D da DPZ", definições de dicionário introduzidas por "segundo mestre Aurélio...” etc. Constituem uma modalidade de clichê as chamadas séries usuais, que são sequências de palavras que sempre se repetem. Exemplos: "silêncio sepulcral", "nobre colega", "ilustre deputado", "óbvio ululante", "longo e tenebroso inverno", "gravemente doente”; "mortalmente ferido", "corpo escultural", "lauto jantar", "honroso convite" etc. É bem verdade, todavia, que, com criatividade, é possível empregar essas expressões em contextos humorísticos ou irônicos.
Fuga do tema - Textos elaborados como resposta a temas propostos por bancas examinadoras de concursos devem ater-se àquilo que foi solicitado. A fuga do tema determinado acarreta anulação do texto. Isso ocorre porque a abordagem do tema e um item de avaliação.
Generalização/preconceito/estereotipo - A generalização excessiva deve ser evitada, pois é um procedimento de raciocínio que pode conduzir ao radicalismo. Evite construir "teses" apoiadas em estereótipos ou em afirmações preconceituosas. Exemplo: "O brasileiro é preguiçoso", "O povo não sabe votar" etc.
Gíria - A gíria e a linguagem que, nascida em determinado grupo social, pode estender-se, por sua expressividade, a linguagem familiar das várias camadas sociais. Surge, a princípio, como uma linguagem restrita e funciona como fator de identidade entre os membros do grupo a que pertence. Própria da língua falada, a qual confere vivacidade, a gíria não deve ser empregada em textos formais.
Jargão - O jargão é nome que se dá a linguagem profissional. É o conjunto de termos que constituem um vocabulário específico dos profissionais de uma área. Deve ser evitado nos textos formais, assim como a gíria. Exemplo: "matéria" (jargão de jornalistas) etc.
Sensacionalismo - O sensacionalismo e a divulgação e a exploração, em tom espalhafatoso, de reportagens capazes de emocionar ou escandalizar a opinião pública. Nos textos dissertativos e argumentativos, deve ser evitado o tom sensacionalista, pois o apelo aquilo que e chocante, bizarro ou exótica demonstra falta de seriedade e reduz a credibilidade do autor. O discurso que se deixa levar pela emoção exagerada é qualificado de "piegas". A pieguice ou o pieguismo desvalorizam a argumentação.
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