RECURSO POLÍCIA CIVIL - LÍNGUA PORTUGUESA

2009

Caros alunos,

      Mais uma vez, a um ver, a Fundação Universa desrespeita o candidato, principalmente em relação ao tempo oferecido para resolução de todas as questões. A prova objetiva de Língua Portuguesa não demonstrou objetividade e precisão na cobrança dos tópicos constantes do programa. Faltou visão sintetizadora da banca. A fase de recursos é necessária, conquanto, muitas vezes, tratada com indiferença. Quanto à prova discursiva, faremos, depois, algumas considerações. Desejo-lhes sucesso!

RECURSO 1 –QUESTÃO 59/60

      Há flagrante erro na questão 59/60 (veja o tipo de sua prova). Não há como considerar “correta” uma opção que está “errada”. Trocou-se o vocábulo “descriminante” (= eliminar o crime) por “discriminante” (= distinguir, separar). Qualquer dicionário de Língua Portuguesa evidenciará essa distinção semântica. Ademais, vários juristas renomados, entre eles Maria Helena Diniz, ensinam que descriminante (e não discriminante) é a “circunstância excludente da antijuridicidade, eximindo o agente de responsabilidade criminal, como legítima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento do dever legal ou exercício regular de um direito". Conclui-se, assim, que descriminantes putativas são causas que isentam de pena aquele que, pensando estar agindo legitimamente, vem a praticar um crime. Bibliografia: DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico, 1ª Ed., São Paulo: Saraiva, 1998.

      Como não há opção correta, a questão deve ser anulada.

      Nesses termos, pede-se deferimento. 

RECURSO 2 - QUESTÃO 1

      Na linha 17, as vírgulas que isolam o termo “nos Estados Unidos” são provocadas, sem dúvida, pela inserção de expressão adverbial, mas também pela obrigação de indicar deslocamento, que caracterizou interrupção ou intercalação, de uma função sintática – adjunto adverbial – que estava na ordem direta. Vejamos a ordem direta: “O trabalho é mais marcado pelo conhecimento científico nos Estados Unidos do que em qualquer outro país do mundo...”. Agora, observemos a construção apresentada pelo autor do texto: “O trabalho, nos Estados Unidos, é (...)mais marcado pelo conhecimento científico do que em qualquer outro país do mundo...”. Como se praticou, considerando a ordem direta, o deslocamento do adjunto adverbial “nos Estados Unidos” para depois de “O trabalho” (sujeito da construção sintática), e esse deslocamento interrompeu a relação entre o sujeito e o verbo, existe a obrigatoriedade de se registrarem as entrevírgulas. José Maria da Costa , na obra Manual de Redação Profissional, Campinas, Editora Millennium, 2002, p. 1461, registra: “Vírgula Obrigatória. (...) IV) Indicar inversão, deslocamento ou intercalação de algum elemento da frase, considerando a ordem direta. Ex: a) Ao final da audiência, os advogados requereram prazo para memoriais (desfez-se a ordem direta ao se deslocar o adjunto adverbial para o início da construção); b) Os advogados, ao final da audiência, requereram prazo para memoriais (desfez-se a ordem direta ao se deslocar o adjunto adverbial e registrá-lo entre o sujeito e o verbo) .

      Como há duas opções corretas (a segunda com falha redacional que confunde o candidato), a questão deve ser anulada.

      Nesses termos, pede-se deferimento.

 

 

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